Que tal ser Engenheiro(a) de Produção?

Em: 18 de dezembro de 2024

No dia 17 de dezembro de 2024, celebramos o Dia do Engenheiro de Produção, reconhecendo a importância desse profissional para o desenvolvimento das organizações e da economia. Para homenageá-lo, publicaremos no JCAM uma série de artigos sobre Engenharia de Produção, com o objetivo de inspirar jovens, orientar profissionais e sensibilizar tomadores de decisão sobre a importância de investir na formação deste setor essencial.
Se está indeciso(a) sobre qual curso superior escolher, este artigo foi preparado especialmente para você! Aqui, vamos explorar o que faz um Engenheiro de Produção, as estatísticas mais relevantes sobre essa profissão no Brasil, as principais áreas de atuação, sobre a ABEPRO e, claro, o ganho médio deste profissional. E para entender esta profissão, primeiro é necessário conhecer de forma resumida a sua história e evolução.
Há um consenso na academia que a Engenharia de Produção (EP) teve início e evoluiu a partir da Revolução Industrial tendo como figuras mais aclamadas Frederick Taylor, Frank Gilbreth e sua esposa Lillian Gilbreth, Henry Ford, Edward Deming etc. Porém, é importante fazer jus a vários profissionais que contribuíram para a evolução desta área muito antes, durante e depois da Revolução Industrial, tais como:
(1) Padronização: o Imperador Chinês. Qin, que em 221 a.C., emitiu um decreto para padronizar o sistema de medidas no império, inscrevendo-o em objetos metálicos que serviriam como protótipos. A preparação dos moldes para os pesos e cadinhos metálicos é crucial para entender a produção desses padrões < https://www.jstor.org/stable/26566053>
(2) Inovação: o Italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519) que dedicou sua vida para criar soluções (anatomia humana, pontes, canais, motores, engrenagens etc.) a partir de milhares de desenhos e diagramas relacionados à matemática, ciência e engenharia, especialmente à medida que envelhecia;
(3) Gestão das Operações: o Britânico Charles Babbage (1791–1871), o pioneiro que contribuiu para a Gestão de Operações, valendo a pena ler a obra publicada em 1982 sobre “On the Economy of Machinery and Manufactures ;
(4) Mapeamento de Processos: o Polonês Karol Adamiecki (1866-1933) que criou no início de 1896 o Harmonograma, cuja invenção aumentou a produção entre 100% e 400% em moinhos de laminação de metal, oficinas mecânicas, fábricas químicas, na agricultura e na mineração < https://bit.ly/49JQtp6>.
(5) Qualidade: Walter Shewhart, Harold Dodge e Harry Romig que nas décadas de 20 do século passado criaram respectivamente o Controle Estatístico de Processos (CEP) e técnicas com planos para fazer amostragem.
Em termos de associações cujo nome envolve o termo ” “Engenheiros de produção”, uma das pioneiras foi idealizada em 1921 lá no berço da Revolução Industrial, Reino Unido, a partir da iniciativa do Senhor de H. E. Honer que escreveu uma publicação técnica chamada Engineering Production, sugerindo que era o momento adequado para formar uma instituição voltada para os interesses especializados dos engenheiros envolvidos na manufatura.
Assim, nasceu o Institution of Production Engineers (IProdE), que em 1945, chegou a reunir 5.000 membros. Em 1991, durante o progresso das negociações, o IProdE mudou seu nome para Institution of Manufacturing Engineers. Outra associação é a Society of Manufacturing Engineers (SME) criada em 1932 nos EUA (na época o nome era American Society of Tool Engineers), enquanto no Brasil, já tardiamente, em 1986, foi criada a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), cuja leitura do site é altamente recomendada.
De acordo com a ABEPRO, a Engenharia de Produção se encarrega do projeto, implantação, operação, melhoria e manutenção de sistemas produtivos integrados de bens e serviços, envolvendo uma complexa combinação de pessoas, materiais, tecnologia, informação e energia. Além disso, cabe a essa área especificar, prever e avaliar os resultados desses sistemas, considerando o impacto tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente, utilizando conhecimentos especializados de matemática, física, ciências humanas e sociais, em conjunto com os princípios e métodos da engenharia.
Segundo o Confea/Crea, há cerca de 48.500 engenheiros de produção ativos, enquanto o INEP registra 1.039 cursos de graduação na área, com 185.759 graduados entre 2013 e 2024. A CAPES, por sua vez, contabiliza 7.161 mestres e 2.007 doutores formados nos últimos dez anos.
Uma das principais vantagens da EP é a diversidade de oportunidades profissionais, já que este profissional pode atuar em uma ou mais das 65 subáreas, distribuídas em dez grandes áreas: Engenharia de Operações e Processos de Produção, Cadeia de Suprimentos, Pesquisa Operacional, Engenharia da Qualidade, Engenharia de Produto, Engenharia Organizacional, Engenharia Econômica, Engenharia do Trabalho, Engenharia da Sustentabilidade e Educação em Engenharia de Produção.
Além de sua versatilidade, outro ponto é o seu potencial de crescimento em áreas promissoras. Segundo o Occupational Outlook Handbook , o emprego de engenheiros de produção deve crescer 12% de 2023 a 2033, uma taxa muito superior à média de outras ocupações. Estima-se que, ao longo da próxima década, surgirão, em média, 25.200 novas vagas para engenheiros industriais, muitas das quais devido à substituição de trabalhadores que mudam de área ou se aposentam.
No Brasil, o salário médio de um estagiário de Engenharia de Produção varia entre R$ 1.400 e R$ 1.678, dependendo da empresa e das habilidades do candidato. Já o salário médio de um engenheiro de produção é de R$ 7.634,88, podendo variar conforme a especialização. Áreas como Engenharia de Riscos (R$ 21.525,71) e Engenharia de Controle de Qualidade (R$ 18.786,58) pagam mais, enquanto áreas como Engenharia de Tempos e Movimentos (R$ 11.789,47) e Engenharia de Logística (R$ 15.155,37) oferecem salários mais baixos.
Em conclusão, continue pesquisando e dialogando com profissionais experientes da área. Além disso, neste link , você encontrará um teste vocacional simples que pode ajudar a avaliar se tens o perfil para atuar como engenheiro(a) de produção. Espero que este recurso seja útil e que sua resposta à pergunta do tema deste artigo seja um “SIM”.

Jonas Gomes

Prof. Dr. Jonas Gomes da Silva - Professor Associado do Dep. de Engenharia de Produção com Pós Doutorado iniciado no ano de 2020 em Inovação pela Escola de Negócios da Universidade de Manchester. E-mail: [email protected].
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