Tomate e chuchu não deveriam interferir na inflação do país

Em: 17 de fevereiro de 2025

Na captação de preços feita pelo IBGE nas 16 cidades base para coleta do Brasil, os valores são lançados em uma tabela contendo itens como sapato, automóveis, tomate e aluguéis, por exemplo.
Cada item tem uma porcentagem ponderada que representa quanto cada um representa em relação ao total do custo mensal do cidadão.

O item Alimentação no Domicílio, por exemplo, é o código 11 da tabela, e representa 15,75% do total.

Dentro deste código há o subcódigo 1103028 – Tomate, com 0,20%, que é a participação desta fruta no orçamento doméstico mensal da população pesquisada.

Se o tomate tiver um problema de abastecimento e o seu preço dobrar, ele passará a representar o equivalente a 0,40%, e contribuirá para o aumento do INPC, o índice que mede a inflação da população com renda de 1 a 5 salários mínimos mensais.

O índice da inflação vai interferir em valores de salários, aluguéis, preço de bicicletas e contratos de serviços, entre outros.

Ocorre que se o tomate ou qualquer outro artigo subir de preço acima de certo patamar, o consumidor vai consumir um outro artigo alternativo, e não vai arcar com o custo adicional do preço do tomate.

Se o dono de um imóvel promove o reajuste do aluguel pelo aumento do INPC influenciado pelo aumento do preço do tomate, o seu inquilino, que não vai comprar tomate naquele mês, vai ter que arcar com o aumento do aluguel causado pelo mesmo tomate que ele não vai consumir.

Isto acontece porque o IBGE não ajusta a poderabilidade do consumo, não refletindo o consumo e o gasto real desembolsado, produzindo, portanto, um índice inflacionário irreal.

Com o dobro do preço naquela coleta, o tomate não será consumido, e ao invés de representar os 0,20% fixo, deveria ser reduzido conforme o seu consumo seja reduzido.

O método atual está produzindo índices inflacionários, para mais e para menos, cujo resultado afeta os preços da economia em geral de forma tecnicamente incorreta.

Apontado como o vilão da inflação em 1977 pelo então ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, novamente em fevereiro de 2011 o chuchu voltou a ser notícia, quando aumentou em 88,12%, causando inflação (fictícia) naquelas datas.

O IBGE deveria rever a metodologia para evitar as consequências causadas pelo formato atual.

Hoje o chuchu não consta mais na tabela do IBGE, mas o tomate ainda está por lá.

(*) Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Contabilista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Juarez Baldoino da Costa

Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós- Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
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