“A humanidade não gosta de mudanças”

Em: 6 de setembro de 2017
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O consultor de carreiras e administrador de empresas, Max Gehringer, estará em Manaus no próximo dia 20 de setembro para ministrar a palestra “Gerenciamento de Mudanças” com foco na gestão, carreira e universo econômico. Considerado uma grife de sucesso, Gehringer conversou com o Jornal do Commercio sobre os objetivos e as expectativas do evento na capital.

Jornal do Commercio – Qual o objetivo principal da palestra “Gerenciamento de Mudanças”?
Max Gehringer – Além de abordar sobre a capacidade de assimilar mudanças no mercado de trabalho, também vou falar sobre a importância dos profissionais buscarem um diferencial e a necessidade de atualização e capacitação para enfrentar a concorrência ao dominar as novas tecnologias.

JC – O livro “Relações Desumanas no Trabalho” de sua autoria foi publicado 1998. Atualmente, o que seria uma relação desumana de trabalho?
MG – Em 1998, praticamente ninguém ainda falava sobre assédio moral. O Jornal do Commercio do Amazonas publicou a primeira matéria sobre assédio moral em janeiro de 2001. Hoje, há uma infinidade de processos correndo na Justiça do Trabalho, movidos por funcionários que se sentiram moralmente assediados pelos superiores. Outro tema é o “politicamente correto”, que era tratado mais como piada na década de 1990 e incorporou-se à cartilha de comportamento social e empresarial.
Boa parte dessas mudanças foi fruto da internet, que começou a ganhar força em 1998, embora já existisse no Brasil desde 1994. Um de seus filhotes, as redes sociais, permitiu que um imenso público silencioso passasse a ter um veículo para reclamar e ser ouvido. Tudo isso levou o empregado a se tornar mais consciente e mais exigente.

JC – Ainda sobre a questão, quando uma relação funcionário e chefe deve ser formal ou não? Há um limite nessa relação?
MG: Chefes são seres humanos. Ao ser promovido a chefe, um empregado não se despe de seus valores e de suas crenças. Os que sempre foram rígidos continuam sendo, e os que eram gente boa tentam continuar sendo. A grande diferença está no fato de que, ao ser alçado a uma posição de chefia, o profissional precisa cobrar resultados e manter a disciplina da equipe. Quem consegue fazer isso só com palavras suaves é uma exceção no mercado.
O excesso de informalidade faz com que o subordinado comece a confundir o chefe com um amigo que irá entender, aceitar e perdoar. Como sempre, o mais apropriado é o meio-termo. O chefe deve ser respeitoso, mas não excessivamente compreensivo com as falhas.

JC: Com mais de 14,5 milhões de desempregados no Brasil, segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quais são as ações que os empresários e colaboradores devem ter para manter-se no mercado em que atuam?
MG: Minha experiência em empresas me mostrou que, quando há necessidade de um corte, os primeiros a serem dispensados são os que reclamam mais, ou faltam muito, ou vivem colocando a culpa nos outros.

JC – O pior chefe ainda é aquele que chama a atenção do funcionário em público?
MG – Esse é um dos fatores que identificam um mau chefe, mas há outros. O chefe que não consegue dizer o que quer, o que ignora o que seus subordinados estão pensando, o que acredita que sua equipe é composta somente por incompetentes, que acha que só o que ele pensa está certo e que não se recicla. A lista é grande e não mudou muito nesses últimos vinte anos.

JC – O que acontece quando a empresa não muda seu comportamento diante do mercado atual?
MG – Qualquer empresa, de qualquer ramo, está sempre vivendo uma de três situações. Ou alguma coisa mudou, ou está mudando, ou precisa mudar. Muitas empresas famosas há cinco décadas já deixaram de existir porque não conseguiram acompanhar o ritmo das mudanças. Isso se deve a algo que vem de muito, muito tempo atrás, e que está em nossa gênese.
A humanidade não gosta de mudanças. As pessoas procuram um ponto de conforto e, quando chegam a ele, fazem o possível para que novas tendências não afetem a tranquilidade adquirida. A história mostra que alguns poucos provocam mudanças, mas usualmente encontram uma maioria cética pela frente.
O que faz com que empregados e empresários tenham ou não sucesso nas carreiras e nos negócios é o eterno dilema entre mudar o que deve ser mudado, e a não mudar o que não precisa ser mudado.

JC – Qual a expectativa sobre o evento em Manaus?
MG – Vou tentar transmitir a experiência que adquiri em minha carreira. Passei por todos os degraus do organograma, vivi frustrações e cometi erros. Quando comecei a trabalhar em minha adolescência, não existiam revistas de negócios ou dicas para desenvolvimento profissional. Aprendi apanhando. Espero que as dicas dadas na palestra possam ajudar cada pessoa a refletir sobre sua própria situação.

Livros de sua autoria
Relações Desumanas no Trabalho (Casa da Qualidade, 1998); Comédia Corporativa (Campus, 2000); Não Aborde Seu Chefe no Banheiro (Campus, 2001); Big Max Vocabulário Corporativo (Negócio, 2002); O Melhor de Mr Max (Abril, 2002); 30 Lições de Carreira e de Vida (Abril, 2003); Arregace as Mangas (Papirus, 2004); Máximas e Mínimas do Mundo Corporativo (Gente, 2005); O Melhor de Max Gehringer na CBN (Globo, 2006); Pergunte ao Max, (Globo, 2007); Emprego de A a Z (Globo, 2008); Clássicos do Mundo Corporativo (Globo, 2008); Pílulas de Sabedoria da Professora Etelvina (Globo, 2009); Coleção Carreira e Sucesso (Gold, 2009); Superdicas Para Impulsionar Sua Carreira (Saraiva, 2009); Almanaque dos Mundiais (Globo, 2010); O Sucesso Passo a Passo (Globo, 2010); A Grande História dos Mundiais, (e-galaxia, 2014); Quem Mexeu no meu Trema (e-galaxia, 2014); Aprenda a ser Chefe (Integrare, 2014); Todas as Respostas (Benvirá, 2015).

Biografia
Nascido em Jundiaí em 1949, Max Gehringer é escritor e administrador de empresas. Em 1999, no auge de uma carreira bem-sucedida em grandes empresas (foi presidente da Pepsi-Cola Engarrafadora, presidente da Pullman/Santista Alimentos, diretor da Elma Chips e diretor da PepsiCo Foods nos Estados Unidos), Gehringer tomou uma decisão raríssima no mundo corporativo: abriu mão do poder e das mordomias de alto executivo para dedicar seu tempo a escrever e a fazer palestras pelo Brasil. Max foi colunista das revistas Você S.A., Exame e VIP (todas publicadas pela Editora Abril) e Época (publicada pela Editora Globo).
O humor e a sensibilidade dos textos de Max vêm de sua vivência prática num mundo que ele conhece degrau por degrau: seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi de auxiliar de faxina. O último: presidente da Pullman. Ele foi escolhido como um dos “30 Executivos Mais Cobiçados do Mercado” através de pesquisa realizada pelo jornal Gazeta Mercantil em janeiro de 1999.

O QUE? Palestra “Gerenciamento de Mudanças” com Max Gehringer
QUANDO? 20 de setembro, às 19h
ONDE? Manaus Plaza Centro de
Convenções.
INVESTIMENTO? Os últimos ingressos do primeiro lote, no valor promocional de R$ 115, estão disponíveis somente esta semana e podem ser adquiridos nas livrarias Concorde dos shoppings Amazonas e Manauara. Os ingressos também podem ser comprados pelo site: www.amazontickets.com.br/maxgehringer. Parte da renda do evento será revertida para doação ao Lar Batista Janell Doyle, que abriga crianças carentes em situação de
risco social.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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