Concessionárias temem alta no IPI para importados

Em: 19 de setembro de 2011
Segmento de veículos importados comemorava bom desempenho até a decisão do governo
Segmento de veículos importados comemorava bom desempenho até a decisão do governo

A decisão anunciada pelo governo federal na quinta-feira, 15, de aumentar em 30% o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros importados ao Brasil vindo de países de fora do Mercosul foi recebida com apreensão pelas concessionárias de Manaus. A medida pode romper a boa fase do segmento no Amazonas, que segundo dados da Fenabrave, registrou crescimento 10,36% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado.
“Ninguém sabe o que vai acontecer. Estamos esperando”, revelou o gerente da Pole Position, autorizada Hyundai, Vivaldo Santos. Segundo ele, o volume de vendas já não estava satisfatório os números da pesquisa faziam crer. ”Hoje, o mercado não é tão simples, porque o cliente tem muitas opções. Temos pelo menos quatro novas marcas de veículos importados nos últimos meses em Manaus. A concorrência é grande e isso por si só já é um problema para o setor”, afirmou.
Para a gerente comercial da Martins Import, que apontou uma boa movimentação na concessionária em agosto, também acredita que o aumento do imposto vai retrair as vendas e prejudicar o bom andamento do segmento. “Ainda não recebemos a nova tabela de preço e os dirigentes da KIA estão tentando achar uma solução. Fomos pegos de surpresa”, afirmou.
Já o gerente de vendas diretas da Porto Auto Nissan, Leonardo Sial, que registrou aumento de vendas de 110% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado, aposta na adequação do mercado. “É uma questão de sobrevivência. Os bancos provavelmente vão começar a trabalhar, taxas de financiamentos e expansão do crédito para equacionar a situação”, especulou.

Medida do governo pretende proteger indústria nacional

Conforme explicou o vice-presidente da Fecomercio (Federação do Comercio de Bens, Serviços e Tursimo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, a medida, que faz parte do Programa Brasil Maior do governo federal, foi criada para proteger o mercado de autos do ataque dos produtos importados, principalmente os de origem chinesa que estão colocando os veículos brasileiros em desvantagem em virtude da grande disparidade de preços.
“O objetivo é nobre. O Governo quer compensar a defasagem tributando mais alto, mas é claro que os automóveis asiáticos tem preços altamente competitivos, portanto ainda não é possível mensurar os efeitos.”
Nem mesmo revendedores de automóveis fabricados no Brasil, mostraram-se tranqüilos com a decisão do Governo. Para o gerente da Garcia Veículos, Marcos Vasconcelos, por exemplo, a medida pode atingir também o mercado nacional. “O que nos preocupa é que o aumento do IPI também atinge o mercado nacional uma vez que os fabricantes brasileiros utilizam matéria-prima, peças e acessórios importados no processo de produção”.
O questionamento, segundo ele, é se a medida vai ser capaz de proteger a produção brasileira. “Muitos fatos novos vão surgir. Está aberta a discussão”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar