Cooperar por quê?

Em: 24 de agosto de 2009
Um rei muito rico e ávido por novidades ouviu falar de um estranho animal que vivia do outro lado do oceano, e decidiu enviar três estudiosos, os mais brilhantes do seu reino, para conhecer o animal e voltar com uma descrição pormenorizada
Um rei muito rico e ávido por novidades ouviu falar de um estranho animal que vivia do outro lado do oceano, e decidiu enviar três estudiosos, os mais brilhantes do seu reino, para conhecer o animal e voltar com uma descrição pormenorizada

Um rei muito rico e ávido por novidades ouviu falar de um estranho animal que vivia do outro lado do oceano, e decidiu enviar três estudiosos, os mais brilhantes do seu reino, para conhecer o animal e voltar com uma descrição pormenorizada. Os três viajaram para a distante terra onde morava o animal, chegando à noite ao lugar, uma floresta densa, onde o encontraram andando entre as árvores. No escuro, cada um dos sábios, embora com medo, procurou tocar o animal o mais rapidamente possível, para ter o privilégio de dar notícias em primeira mão ao rei. Ao voltarem ao castelo, o rei perguntou ansiosamente: “como é o animal?” “Pelo que pude alcançar”, disse o primeiro sábio, “tinha um lado enorme”. “Não, era fino e tinha a cabeça peluda”, disse o segundo. “Nada disso”, disse o terceiro, “tinha um pescoço grosso e redondo”. Os três começaram a discutir sobre como era o animal, apresentando informações bem diferentes, embora tivessem tocado o mesmo animal. Pensando na despesa que tivera para enviar os três para uma viagem tão longa e sem resultados, o rei mandou atirá-los no calabouço. E ficou sem saber como era o misterioso animal.
A fábula “o rei, os três sábios e o animal misterioso” ilustra bem um dos problemas do mundo corporativo e um grande desafio para os gestores: promover entre os membros de uma equipe a conciliação entre os interesses individuais e a necessidade de cooperação para lograr resultados satisfatórios. Tal tarefa, no entanto, é fundamental para a sobrevivência da empresa, embora nem sempre seja fácil de ser executada, pois é comum se pensar que os interesses coletivos e pessoais são antagônicos, e muitos se fixam na competição em busca do sucesso individual, como foi o caso dos supostos sábios, e todos saem perdendo.
A incensada competitividade torna-se prejudicial quando a busca do sucesso individual não está afinada com as metas da empresa, prejudicando os resultados da organização e por vezes levando à falência do sistema. Por outro lado, se a empresa exige que o funcionário faça apenas o que lhe é ordenado, mesmo quando em detrimento de seus objetivos pessoais, a conseqüência mais provável é a desmotivação e resultados também desfavoráveis. Os valores da organização e os individuais devem estar alinhados para que a balança se equilibre, e aí entra o valor da cooperação.
Cooperar com a empresa não é “fazer de conta” que tudo está bem, nem alimentar a ilusão de que não vai haver controvérsias e conflitos numa equipe de trabalho e com as próprias chefias. Elementos diferentes, quando se aglutinam em torno de um propósito comum, encontram semelhanças que fortalecem o conjunto, sem que os talentos individuais sejam desconsiderados ou anulados, A força do grupo, aí incluídos os gestores, está na aliança que é estabelecida para que os resultados esperados por ambos – empresa e funcionário – sejam alcançados, não necessariamente no mesmo momento.
Sensibilidade e coerência de um lado e do outro é o ideal, pois nem o funcionário pode achar que a empresa não vive sem ele, por mais competente que seja, nem a empresa pode incorrer no erro de considerar a substituição mais vantajosa do que a conciliação (na medida do possível). Vale refletir, no caso dos funcionários, se vale a pena ser alijado do processo por excesso de competição, e quanto aos gestores, a observação de que o rei que jogou os sábios no calabouço não ficou melhor do que eles: ficou sem saber o que queria e sem aqueles que, se melhor aproveitados, poderiam fazer muito mais do que satisfazer a vaidade real.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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