Fábricas de embalagens projetam alta de 5%

Em: 22 de janeiro de 2010
O segmento de embalagens do PIM (Polo Industrial de Manaus) que está em franco crescimento desde 2008, conforme fabricantes do setor, espera crescer até 5% em 2010
O segmento de embalagens do PIM (Polo Industrial de Manaus) que está em franco crescimento desde 2008, conforme fabricantes do setor, espera crescer até 5% em 2010

O segmento de embalagens do PIM (Polo Industrial de Manaus) que está em franco crescimento desde 2008, conforme fabricantes do setor, espera crescer até 5% em 2010. Atualmente, 80% dos serviços de embalagens para proteger, enriquecer e conservar produtos são produzidos na capital amazonense, o que aponta para uma valorização desse nicho de mercado que era abocanhado pela indústria paulista.
A Novotempo Indústria Gráfica, por exemplo, projeta injetar R$ 6 milhões no segmento de embalagens, em projetos que visam à redução de custos. Embalada pela boa performance do setor, a Gráfica Ampla informa que vai incluir esse nicho de negócio em seu portfólio de produtos ainda neste primeiro semestre.
O diretor industrial da Novotempo Indústria Gráfica, Henk Koolen, disse que alguns serviços específicos, a exemplo de compostos, ainda estão sendo feitos em São Paulo, mas frisou que a maior demanda das embalagens utilizadas pelas indústrias do PIM são feitas no mercado local, que possui indústrias e gráficas produzindo embalagens em vidro, plástico, caixas de cartão (cartuchos), de ondulados, compostos (papelão ondulado acoplado ao cartão), caixas de vários tipos de ondulados em geral de papel e papelão.
“Hoje, está ocorrendo uma inversão, porque antes quase 80% dos serviços de embalagens do PIM eram feitos em São Paulo”, garantiu.
O grande motivador dessa inversão está no fato de as gráficas locais terem se especializado, investiram em maquinários de última geração e capacitaram seus funcionários em várias áreas gráficas. Koolen disse que a Ufam (Universidade Federal do Amazonas) foi a mentora dessa mudança ao criar o curso de design gráfico por volta de 1988. “Hoje, todas as faculdades têm esse curso, o que gerou uma oferta enorme de designers em Manaus, cuja maioria está trabalhando em algumas das 192 gráficas locais entre micros, pequenas, médias e de médio-grande porte”, contou.
Ao avaliar a competitividade entre Manaus e São Paulo, Koolen explicou que outro fator que colabora com o setor de embalagens local é a isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), no caso das indústrias gráficas, por conta do incentivo da ZFM (Zona Franca de Manaus), o que torna os preços competitivos. “Quem compra em São Paulo e não têm incentivos possui uma redução de 7% de ICMS e paga uma antecipação de 10% que se inverte em crédito”, disse.

Substituição do ICMS pelo ISS é questionada

Quanto à nova determinação da Prefeitura de Manaus em cobrar ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer natureza) das indústrias gráficas de Manaus não é vista com bons olhos pelo setor. Na opinião de Henk Koolen, a palavra indústria já caracteriza, no caso, a não prestação de serviços, transformando matérias-primas em produtos. “Talvez as gráficas que imprimem e têm como clientes consumidores finais como revistas, folders, cartazes, jornais, livros e cartelas de bingo, possam lucrar, pois pagam ICMS de 17%. Existem as indústrias gráficas que produzem bens intermediários que comporão o bem final do cliente, neste caso trata-se de serviço. Fugindo disto significa que qualquer fornecedor de componentes, por exemplo, a injeção plástica, estaria prestando serviço ao vender um bem intermediário?”, questionou.

Investimento pesado

Segundo Henk Koolen, que é holandês, naturalizado brasileiro, a Novotempo investiu pesado em equipamentos importados – “porque não existem no Brasil” -, e no seu centro de treinamento, visando formar mão de obra que atendesse as necessidades da empresa. Esses requisitos lhe creditaram uma boa colocação no mercado gráfico do Amazonas, com o foco voltado para qualidade, confiabilidade de entrega e preços. Ao mesmo tempo, a firma desenvolveu a fabricação de embalagens, assumindo os compromissos como o de manter um almoxarifado para seus clientes.
Koolen disse que houve uma transferência de hábitos administrativos para as indústrias gráficas de um modo geral que atualmente produzem e depois ficam esperando o momento de fazerem a entrega, o que requer muita criatividade gerencial. “Assim baixaram os custos do cliente e a gente contribuiu com isso, sempre buscando melhoria contínua”, garantiu, ressaltando que a Novotempo produz embalagens específicas para produtos dos seus clientes no PIM.
Como trabalha para multinacionais, a Novotempo teve que se globalizar, o que requereu um grande investimento para se comunicar com suas clientes em inglês, já que as mídias e os desenhos já vêm prontos de fora. Além disso, as regras obedecem padrões internacionais em questão de qualidade. “Para participar do PIM se faz necessário se certificar na ISO 9000 (qualidade) por obrigação e em breve na ISO 14000 (meio ambiente) também será obrigatória; depois vem a ISO 18000 (segurança e medicina do trabalho) e a 16000 (ética social”, disse.
Por conta disso, os colaboradores da Novotempo, que gera em torno de 300 empregos diretos, distribuídos em três turnos, têm aula de inglês e capacitação de mão de obra, o que lhe permite ter um departamento de engenharia e um de desenvolvimento em design ou programadores visuais do trabalho.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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