Festival de laser e alegria

Em: 3 de dezembro de 2007
De quebra, também quer chamar a atenção para o trabalhador dessa atividade, quase sempre noturna, que, conforme a atividade exi­ge­
De quebra, também quer chamar a atenção para o trabalhador dessa atividade, quase sempre noturna, que, conforme a atividade exi­ge­

O início do horário de ve­­rão, no Brasil, marcou também o começo do Festival Bar em Bar, promovido pela Associação Brasileira de Res­­taurantes. O evento tem como objetivo principal relembrar que o bar é um lugar alegre, descontraído. De quebra, também quer chamar a atenção para o trabalhador dessa atividade, quase sempre noturna, que, conforme a atividade exi­ge­, é sempre uma pessoa capaz de fazer frente à situa­ções inusitadas, sem esquecer o objetivo do estabelecimento, que é o de proporcionar lazer e alegria.

Programado para todos os estados brasileiros, o festival deve se estender por um mês inteiro, chamando a atenção principalmente sobre as porções servidas em bares.

Costume típico de brasileiros, o hábito de beber, comendo algum “tira-gosto”, o evento será inserido como cultura nacional. Levantamentos feitos em todo o Brasil demons­tram que muitos dos freqüentadores de bar, não vão lá para ingerir bebida alcoólica e sim, simplesmente porque querem encontrar pessoas, fazer novos amigos, ou curtir a programação musical do ambiente em meio a um clima que só essas casas ofe­recem.

Em Manaus as melhores casas participam deste festival que teve sua abertura oficial na se­gunda-feira passada. Os bares, que fazem parte do setor de alimentação fora do lar, são os que mais empregam no Brasil e tem um diferencial pouco divulgado: São as empresas que mais atuam na inclusão social. Normalmente, aqueles que não têm uma formação específica, começam sua atividade em bares e restaurantes, quando não tem nenhum preparo para emprego algum, e não raramente chegam a tornar-se colegas de seus antigos patrões.

Isso sem alarde e, ao contrário de outros setores que recebem incentivos oficiais, estão sempre na mira do bombardeio de autoridades que rotulam ati­vidades em lícitas e ilícitas, numa prática do politicamente incorreto. É, de longe, o setor que mais teve pedras em seu caminho.

Ainda assim, existem empresários com coragem e persistência em levar alegria sadia à população.
Hoje, peço licença para tra­zer os versos do amigo Celso Cruz, dono de botequim em Natal, Rio Grande do Norte, que durante seu trabalho não deixa de ser poeta e repentista. Ele resume nestes versos que a Revista Bares & Restaurantes publicou, a atividade e seus participantes. Como ele próprio afirma: ”Dono de botequim não é poeta em horas vagas. As horas vagas são dos clientes.”

Os bares da vida, as biroscas/os restaurantes/são refúgios de amantes/de poetas e de muito mais!/ É a UTI de quem padece de amores/de quem já não recebe flores/do tanto fez, tanto faz./Recanto de amizades/de driblar a solidão/de solfejar a canção/que relembra o amor perdido/do coração partido/da saudade do indigente/não se enxergas os diferentes/como sendo desiguais./Berço da democracia/onde todos são ouvidos/onde os desiludidos reacendem esperanças/os velhos viram crianças/perseguem a eternidade/pregam a justiça, a paz/tentam consertar o mundo./Lá ninguém é vagabundo/se nada fez ou nada faz./Não há distinção do importante,/do fútil/do necessário, do útil./Tudo é primordial!

Mas sempre sobra pro dono/ser fiel, ser consultor/ser confidente, doutor/PHD em assuntos vários/sorrir em assuntos hilários/ficar triste na hora certa/cobrar a conta correta/o erro não é perdoado/tem que estar desocupado/pra atender prontamente/satisfazer o cliente!/Procedimento normal./E, sem estar escrito em lei:/Todo cliente é rei/nesse reinado irreal.

Luiz Lauschner é escritor e empresário. E-mail: www.luizlauschner.prosaeverso.net

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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