Verdadeira responsabilidade social

Em: 3 de dezembro de 2007
Se esse parâmetro jamais é desconsiderado nas organi­zações bem sucedidas, per­­­tençam elas à administração pública ou ao âmbito da iniciativa privada
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Se esse parâmetro jamais é desconsiderado nas organi­zações bem sucedidas, per­­­tençam elas à administração pública ou ao âmbito da iniciativa privada

Responsabilidade social é um valor corporativo que não pode prescindir de bom planejamento e adequada a­valiação de projetos, para que se obtenha a melhor relação custo-benefício, prática essa que permite otimizar os resultados atingidos com os sempre escassos investimentos, diante do tamanho das necessidades de milhões de brasileiros de baixa renda. Se esse parâmetro jamais é desconsiderado nas organi­zações bem sucedidas, per­­­tençam elas à administração pública ou ao âmbito da iniciativa privada, com maior razão –eu ousaria dizer– deveria ser uma lei draconiana nas entidades do Terceiro Se­tor. Acontece que, para muita gente, esses princípios elementares da boa gestão pouco ou nada têm a ver com as atividades das entidades que labutam para atenuar os graves problemas sociais em áreas marcadas pela ausência ou ineficácia da ação do governo ou das empresas.

Nada mais equivocado, den­­­tro da moderna visão da importância e das características do Terceiro Setor, que vem sendo crescentemente marcado pela gestão altamen­­te profissional (e, por isso mesmo, de elogiáveis resultados) de seus funcionários, até nos casos em que eles têm a sorte de contar com o apoio do exército, cada vez maior, dos voluntários que gene­ro­­­samente doam suas habilida­­­des, seu tempo e dinhei­­ro pa­­­ra minorar carências sociais.

Deixando de lado os casos denunciados de corrupção ou da inadmissível “pilantro­pia”­ –que, felizmente, não chegam a comprometer o tra­­balho e o apoio da socieda­de às entidades filantrópicas sé­­­­­­­­­­rias, transparentes e com­pro­­­metidas com nobres mis­­­­­­­­­sões–, é preciso manter acesa a consciência de que o desenvolvimento social e econômico é decorrência direta da escolaridade e do conhecimento acumulado pelo seu capital humano –es­­­sa riqueza formada pela qua­­lidade da mão-de-obra e, hoje, reconhecida como o gran­­­de diferencial tanto para assegurar ao profissional um lugar ao sol no competitivo­ mercado de trabalho, quan­­to para alçar as nações a pata­­mares dignos de distribuição de renda e sustentabilidade.

Sem desmerecer os efei­tos­ imediatos dos programas­ sociais do governo, não po­­­­­­­de deixar de causar preo­­­cu­­pação as recentes pesqui­­sas­ indicando que um em cada quatro brasileiros de­­pen­de­ desse tipo de rendi­­­­­­­­­­men­­­­­­to­ para sobreviver. Preocupa­­ção que se intensifica, em es­­­pecial, entre analistas do Terceiro Setor que, para usar a linguagem popular, preferem ensinar a pescar do que sempre dar peixe a quem tem fome. E isso, não se pode negar, só será obtido com oferta de educação de quali­­­dade às novas gerações, preparando-as para atuar com ética e competência nos setores que escolherem.

Essas reflexões decorrem de um olhar mais atento ao tema escolhido para o 10º Se­­­­­­minário Ciee-Gazeta Mer­­cantil do Terceiro Setor, que aconteceu em agosto no Tea­­tro Ciee e reuniu especialistas para debater a grave crise do sistema público de saúde. Com as raras e honrosas exceções de praxe, a situação da saúde pública no Brasil é calamitosa, como revelam as greves que estão paralisando os hospitais em vários estados do Nordeste. Situação crítica que se deve não ape­­nas à falta de dinheiro, mas também à má gestão dos recursos disponíveis –deficiência, aliás, que não afeta apenas esse setor e que decorre, entre outras razões, de um ensino descolado da reali­­da­­­de, no qual professores desmotivados fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem. As modernas entidades do Terceiro Setor, assim como as corporações de ponta, sabem que promo­ver consistentes avanços na educação –essa condição bá­­sica de desenvolvimento sustentado– não é tarefa ape­nas do governo, mas exige a colaboração de todos, principalmente num país como o Brasil, que coleciona avali­ações extremamente nega­­ti­vas em desempenho dos es­­tu­­dantes e vergonhosas taxas de analfabetismo, que de­­­preciam a qualidade do nos­­­­so capital humano.

Uma das mais eficazes parcerias na busca da quali

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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