Responsabilidade social é um valor corporativo que não pode prescindir de bom planejamento e adequada avaliação de projetos, para que se obtenha a melhor relação custo-benefício, prática essa que permite otimizar os resultados atingidos com os sempre escassos investimentos, diante do tamanho das necessidades de milhões de brasileiros de baixa renda. Se esse parâmetro jamais é desconsiderado nas organizações bem sucedidas, pertençam elas à administração pública ou ao âmbito da iniciativa privada, com maior razão –eu ousaria dizer– deveria ser uma lei draconiana nas entidades do Terceiro Setor. Acontece que, para muita gente, esses princípios elementares da boa gestão pouco ou nada têm a ver com as atividades das entidades que labutam para atenuar os graves problemas sociais em áreas marcadas pela ausência ou ineficácia da ação do governo ou das empresas.
Nada mais equivocado, dentro da moderna visão da importância e das características do Terceiro Setor, que vem sendo crescentemente marcado pela gestão altamente profissional (e, por isso mesmo, de elogiáveis resultados) de seus funcionários, até nos casos em que eles têm a sorte de contar com o apoio do exército, cada vez maior, dos voluntários que generosamente doam suas habilidades, seu tempo e dinheiro para minorar carências sociais.
Deixando de lado os casos denunciados de corrupção ou da inadmissível “pilantropia” –que, felizmente, não chegam a comprometer o trabalho e o apoio da sociedade às entidades filantrópicas sérias, transparentes e comprometidas com nobres missões–, é preciso manter acesa a consciência de que o desenvolvimento social e econômico é decorrência direta da escolaridade e do conhecimento acumulado pelo seu capital humano –essa riqueza formada pela qualidade da mão-de-obra e, hoje, reconhecida como o grande diferencial tanto para assegurar ao profissional um lugar ao sol no competitivo mercado de trabalho, quanto para alçar as nações a patamares dignos de distribuição de renda e sustentabilidade.
Sem desmerecer os efeitos imediatos dos programas sociais do governo, não pode deixar de causar preocupação as recentes pesquisas indicando que um em cada quatro brasileiros depende desse tipo de rendimento para sobreviver. Preocupação que se intensifica, em especial, entre analistas do Terceiro Setor que, para usar a linguagem popular, preferem ensinar a pescar do que sempre dar peixe a quem tem fome. E isso, não se pode negar, só será obtido com oferta de educação de qualidade às novas gerações, preparando-as para atuar com ética e competência nos setores que escolherem.
Essas reflexões decorrem de um olhar mais atento ao tema escolhido para o 10º Seminário Ciee-Gazeta Mercantil do Terceiro Setor, que aconteceu em agosto no Teatro Ciee e reuniu especialistas para debater a grave crise do sistema público de saúde. Com as raras e honrosas exceções de praxe, a situação da saúde pública no Brasil é calamitosa, como revelam as greves que estão paralisando os hospitais em vários estados do Nordeste. Situação crítica que se deve não apenas à falta de dinheiro, mas também à má gestão dos recursos disponíveis –deficiência, aliás, que não afeta apenas esse setor e que decorre, entre outras razões, de um ensino descolado da realidade, no qual professores desmotivados fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem. As modernas entidades do Terceiro Setor, assim como as corporações de ponta, sabem que promover consistentes avanços na educação –essa condição básica de desenvolvimento sustentado– não é tarefa apenas do governo, mas exige a colaboração de todos, principalmente num país como o Brasil, que coleciona avaliações extremamente negativas em desempenho dos estudantes e vergonhosas taxas de analfabetismo, que depreciam a qualidade do nosso capital humano.
Uma das mais eficazes parcerias na busca da quali







