O faturamento da indústria imobiliária do Amazonas acelerou no terceiro trimestre e marcou novo recorde. As incorporadoras somaram R$ 422 milhões em VGV (valor geral vendido) líquido, entre julho e setembro de 2022. O resultado configura alta de 25,97% ante o patamar atingido no somatório dos três meses anteriores (R$ 335 milhões). A comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 274 milhões) rendeu um acréscimo de 54,01%. Com isso, as vendas dos noves meses iniciais de 2022 totalizaram R$ 1,11 bilhão e avançaram 50% no confronto com igual intervalo de 2021 (R$ 740 milhões).
Os números foram extraídos da sondagem dos Indicadores Imobiliários da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), divulgada em coletiva de imprensa realizada nesta quinta (15). Outubro (mais de R$ 90 milhões), no entanto, já veio mais fraco e acendeu uma luz amarela no setor. Ainda assim, o acumulado do ano já soma R$ 1,20 bilhão e é 16,50% superior ao registrado nos 12 meses de 2021 (R$ 1,03 bilhão). Diante disso, a entidade, que iniciou o ano apostando em um empate, manteve a meta revisada em agosto, estimando crescimento líquido de 30% em 2022.
A sondagem mostra que o aumento da demanda foi acompanhado por uma expansão significativa na oferta. A quantidade de empreendimentos lançados no trimestre anterior (8) foi 60% superior ao registro do acumulado de abril a junho deste ano (5), além de dobrar em relação ao mesmo período do ano passado (4). O número de unidades lançadas (2.906), por sua vez, escalou 147,11%, na virada trimestral, e decolou 165,94% na variação anual. No acumulado de janeiro a setembro, os números foram 60% (16) e 30,28% (4.358) mais fortes, respectivamente.
Valor agregado
As vendas líquidas somaram 1.221 unidades e atingiram acréscimos de 3,21% em relação aos três meses anteriores (1.183), e de 10,40%, no confronto com mesmo trimestre de 2021 (1.106). Em nove meses (3.178), a expansão foi de 5,41%. Seis localidades responderam, juntas, por 82,1% das vendas do terceiro trimestre deste ano. Os bairros Ponta Negra (312) e Tarumã (311), na zona Oeste, encabeçaram a lista. Na sequência estão Cidade Nova (252) –na zona Norte –, Parque Mosaico (192) –na zona Centro-Oeste, –Lago Azul (146) e Colônia Terra Nova (118) –ambos também na zona Norte. Novo Aleixo e Jardim Manaus, que também ficam no Norte da cidade, não registraram vendas desta vez.
O foco dos incorporadores em direção de produtos de maior valor agregado e voltados a um público menos dependente de financiamentos se manteve no terceiro trimestre. Mas a oferta, desta vez, veio mais equilibrada, quando comparada aos dois trimestres precedentes. Entre os sete empreendimentos verticais lançados, três eram do padrão econômico e quatro dos “demais padrões”. Ambas as categorias avançaram nas variações trimestral, anual e acumulada.
Em termos de unidades habitacionais comercializadas, os resultados foram menos nivelados. Como era de se esperar, a maior parte das vendas em imóveis residenciais verticais se concentrou no padrão econômico, que responderam por 56,35% (688) do total, com VGV de R$ 119 milhões. Mas, o desempenho desse tipo de produto veio 8,99% mais fraco do que o do trimestre anterior (756), além de ter ficado 7,77% aquém do ano passado (746). Em contraste, a quantidade de unidades “nos demais padrões” (533) avançou 24,82% e 48,05%, na ordem, ao somar R$ 161 milhões de valor geral vendido.
Custos e oportunidades
Durante a coletiva, o presidente da Ademi-AM e vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Albano Máximo, salientou que, enquanto o Brasil deve registrar elevação de 14% nas vendas líquidas de imóveis no encerramento de 2022, o Amazonas já teve “esses números bastante aumentados”. “Nos últimos três anos, nós temos crescido muito acima do desempenho da construção civil local, sendo que esta tem avançado também acima da média nacional”, comparou.
Indagado sobre o humor dos investidores, no entanto, o dirigente admite que o setor não deixou de ter problemas. “Enfrentamos aumentos de custo de produção, o que gerou uma série de trabalhos da CBIC, em nível Brasil. Conseguimos com o governo federal algumas alterações, como a ampliação do prazo de pagamento de 30 para 35 anos, isso já botou um monte de gente no mercado. Houve também uma correção na curva de subsídios, com melhor distribuição para o comprador que mais precisava. E não somente pela renda, pois as necessidades são diferentes. Isso trouxe mais gente também”, salientou.
O presidente da Ademi-AM avalia que, embora pequenos, os resultados foram significativos para o setor. E avalia que há uma sinalização de que os ganhos podem até ser ampliados nos próximos anos, mesmo diante da insegurança que o governo eleito traz ao empresariado brasileiro. Albano Maximo informa que as lideranças do setor imobiliário nacional tiveram a oportunidade de conversar com representantes da equipe de transição, durante o Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção), na semana passada.
“Tivemos reuniões com as pessoas que estão fazendo a transição na Caixa Econômica e apresentamos algumas propostas, que foram muito bem aceitas. Agora, não se tratam ainda de integrantes do governo. Reunimos também com o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o discurso dele vai no sentido de usar a construção como fator gerador de empregos. De janeiro a setembro, o setor gerou quase 300 mil vagas no Brasil”, comentou.
“Luz amarela”
Já o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina, comemorou o fato de que as vendas até setembro já são maiores do que as de 2021 e considera que isso se deu pelo aumento de empregos e pelo crescimento do PIM, gerando mais confiança ao consumidor. “É importante dizer que tivemos também recorde de lançamentos e estamos mantendo uma excelente velocidade de vendas, que é um reflexo do que é disponibilizado no mercado”, asseverou.
Segundo o dirigente, os efeitos da pandemia nas vendas já ficaram para trás. “Os resultados foram afetados de forma pontual e apenas em alguns meses. No primeiro trimestre de 2021, tivemos um impacto grande, que foi atenuado e até ultrapassado nos trimestres seguintes. Neste ano, não tivemos a ocorrência de nenhuma nova onda, então tivemos uma quantidade de vendas muito grande, entre janeiro e setembro”, ponderou.
Medina admite que outubro –e também novembro –já mostraram “pequena” redução no volume de imóveis comercializados, e estima que isso deve se refletir em um quarto trimestre mais fraco. “Certamente bateremos recorde de vendas, com aumento de 30% sobre 2021, um número para comemorar. Mas, já temos de acender uma luz amarela, pois é um momento de instabilidade política, enquanto transição. A gente se preocupa um pouco, mas o mercado é muito resiliente e o crédito é subsidiado, mesmo com uma Selic ainda muito alta”, encerrou.
Marco Dassori
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