A reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa) que estava marcada para acontecer na próxima quinta-feira (27) será adiada. De acordo com a assessoria da autarquia, o cancelamento aconteceu devido à indisponibilidade de agenda do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
Na última reunião do CAS, que aconteceu no dia 20 de maio, o ministro se comprometeu em participar e presidir as reuniões seguintes. Na mesma ocasião, o governador Omar Aziz (PSD) afirmou que ele e o ministro se reuniriam neste dia 27 para tratar sobre a política industrial do Amazonas, incluindo o polo de duas rodas. A nova reunião, no entanto, ainda não tem data para acontecer.
Após uma série de manifestações que tomaram conta de todo o país, o governo federal tem alterado as pautas de prioridades para atender às reivindicações da população, que acabaram por gerar certa instabilidade política. No âmbito estadual, soma-se a esta instabilidade política algumas incertezas econômicas, como a “guerra fiscal” contra o ICMS da Zona Franca de Manaus, dólar alto e demissões.
Mas apesar do clima de instabilidade político-econômica que o país está vivendo, na opinião do economista Jose Laredo a próxima reunião do CAS não terá redução de investimentos. Para ele, os possíveis fatores que poderiam impedir a chegada de novos investimentos na região são anteriores aos protestos e já bem conhecidos pelos empresários que procuram investir no Polo Industrial de Manaus.
“A discussão da reforma tributária já vem se arrastando há quase 10 anos, portanto não é fator impeditivo para a vinda de novos investimentos. São fatores impeditivos os custos de logística, dificuldade de acesso aos insumos, armazenamento e escoamento da produção. A única novidade que temos são essas manifestações, que são cíclicas e naturais na sociedade democrática”, acredita Laredo.
Comércio
Mas se para a indústria os resultados da insatisfação popular não surgem neste primeiro momento, o mesmo não se pode dizer do comércio. No dia 20 de junho, dia que marcou a maior manifestação popular do Brasil, a Associação Comercial do Amazonas recomendou aos proprietários dos estabelecimentos que fechassem as portas às 14 horas, temendo ações violentas no centro da cidade. De acordo com o presidente da ACA, Ismael Bicharra Filho, apesar de não precisar o número exato, o prejuízo pode ter chegado a 40%.
“Portas fechadas sempre trazem prejuízos. O maior movimento normalmente acontece pela parte da tarde. Considerando que fechamos às 14 horas ficamos fechados durante mais de 1/3 do dia. Não temos os números ainda, mas estimamos perda de 40% do movimento do dia”, afirmou.
Baseado neste número negativo do dia e na relativa tranquilidade com a qual os protestos aconteceram na capital amazonense, Bicharra diz que não há novas recomendações para o fechamento antecipado do comércio na área central de Manaus. Na tarde de ontem (24), uma nova manifestação percorreu as ruas do centro e o comércio funcionou normalmente.
“Nós analisamos que não existe a necessidade de fechar as lojas. Não existe nada que estejamos recomendando como recomendamos no primeiro dia, porque não sabíamos como seria. Mas agora não, recomendamos que as pessoas abram as lojas por considerar um direito democrático”, concluiu.
Na próxima quarta-feira (26), uma nova mobilização deverá acontecer e, de acordo com Bicharra, novamente ficará a critério de cada estabelecimento a decisão de abrir ou fechar as portas.
“Não vamos recomendar ninguém a fechar. Acreditamos que será uma passeata ordeira, pacífica, como está acontecendo em Manaus”.







