Novas avaliações da Petrobras na Bacia de Santos podem elevar para até 46,5 bilhões de barris as reservas de petróleo da região. A afirmação é de relatório do banco Credit Suisse, que aposta no projeto Carioca/Pão-de-Açúcar, um dos reservatórios abaixo da camada de sal que vem sendo testado pela Petrobras e seus parceiros. Segundo dados geológicos aos quais o banco teve acesso, a área fica em quatro blocos exploratórios concedidos pela ANP, operados pela estatal brasileira mas com diferentes sócios.
O relatório, assinado pelo analista Emerson Leite, indica que o projeto Carioca pode ter entre 12 bilhões e 24 bilhões de barris de petróleo. Caso a Petrobras confirme a extensão dos reservatórios, todas as empresas envolvidas terão que negociar um novo consórcio, que englobe todas as concessões. Nesse caso, quem não estiver disposto a bancar os altos custos de exploração ou produção abaixo da camada de sal, teria de vender sua participação, afirma um executivo da Petrobras.
“Esta é uma possibilidade real, porque os dados sísmicos apontam para uma mesma mancha existente em toda a extensão desta área. Isso faria com que todos os investidores que detém a concessão de um bloco, se tornassem parceiros”, explicou a fonte.
Projeto carioca
A Petrobras tem como parceiras, nas áreas que englobam o projeto Carioca, as empresas Galp, Repsol, BG, Exxon e Amerada Hess. O técnico da estatal confirma que Tupi, hoje com 5 bilhões a 8 bilhões de barris, pode ser ultrapassado por outros projetos.
“Temos sete poços perfurados na região, dos quais apenas três tiveram seus dados divulgados. Ainda têm boas novidades por sair nos próximos meses, quando as análises dos dados estiverem concluídas”, comentou.
Leite, do Credit Suisse, diz que a aposta em 46,5 bilhões de barris na área é “conservadora”. Ele lembra que as perspectivas exploratórias da camada pré-sal ainda podem se estender para a Bacia de Campos e do Espírito Santo.
Segundo a fonte da Petrobras, o petróleo que está abaixo da camada de sal na Bacia de Santos pode ser viabilizado comercialmente mesmo que o preço do barril caia a até hipotéticos US$ 35 “Muito se fala do custo elevado para produzir o óleo naquela profundidade, mas estamos avançando consideravelmente em tecnologia para superar o desafio e viabilizar esta produção em escala comercial”, disse.
Com o petróleo na casa dos US$ 90, diz o executivo, é perfeitamente viável para a produção, mas “ninguém apostaria num projeto que exigisse a manutenção desse patamar”. Conforme geólogos consultados pela Agência Estado, dificilmente o custo de extração na área ficaria abaixo dos US$ 20, ante uma média de US$ 7 hoje empregados para a exploração no país.







