Na contramão dos reflexos negativos causados pelo surto de coronavírus que tem afetado diversos setores da economia mundial, setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus) registra 194.734 mil motos fabricadas no primeiro bimestre do ano. De acordo com a Abraciclo ( Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) o volume representa um crescimento de 5,1% na produção comparado ao mesmo período do ano passado que registrou 185.225 unidades. Entidade mantém a projeção de crescimento para este ano de 6,1%, com a fabricação de 1.175.000 motocicletas.
Conforme dados da Abraciclo, em fevereiro saíram das linhas de montagem 94.442 motocicletas, volume 6,8% inferior ao mesmo mês de 2019 (101.305 unidades) e 5,8% menor que janeiro de 2020 (100.292 unidades). A ligeira queda ao menor número de dias úteis em fevereiro e ao feriado prolongado de carnaval. Segundo a entidade, foram 18 dias úteis em fevereiro, dois a menos que o mesmo mês de 2019 e quatro dias a menos na comparação com janeiro do presente ano.
Para o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a oferta de crédito e a busca por melhores transporte para a mobilidade urbana, que coloca a motocicleta como uma melhor opção, continuam sendo os principais fatores que contribuem para o aumento da produção e o otimismo do setor para o ano.
“O mercado continua aquecido e estimulado pela oferta de crédito tanto das instituições financeiras tradicionais e de montadoras, como dos chamados bancos digitais. As taxas de juros estão atrativas e o consumidor, como se observa principalmente nas médias e grandes cidades brasileiras, cada vez mais procura opções de mobilidade que garantem maior flexibilidade, agilidade e economia em seus deslocamentos”, disse.
Coronavírus
Segundo o economista Ailson Rezende, analista do setor de duas rodas do PIM, o problema na cadeia de fornecimento, com a possível falta de insumos que viriam da China, país mais afetado pelo coronavírus, vai ser um desafio que o setor vai precisar se preparar no futuro. Apesar do receio, o setor já tem um plano estratégico para suprir eventuais falta de componentes.
“Quanto ao impacto do coronavírus na produção, será certo, pois diversos insumos são oriundos da China, mas já existe uma cadeia de suprimento de componentes (cluster) instalada no PIM, que pode reduzir o impacto no segmento de duas rodas. Crise sempre é um momento de oportunidade, para se resguardar dos efeitos negativos do coronavírus, a solução é ampliar o número de fornecedores locais e nacionais, que terá efeitos germinadores na economia local e nacional”, frisou o economista.
Uma das principais fábricas do setor de duas rodas no Brasil, a Moto Honda da Amazônia afirmou receber alguns insumos da China para a produção de motocicletas e, e explicou por meio da Honda South America, que a situação de fornecimento está sendo monitorada, e ressaltou que no momento não há previsão de impacto direto na produção.
Segundo a Honda, a empresa fechou o ano de 2019 com 14% de crescimento no volume total de motos emplacadas. Foram 853.271 unidades entre janeiro e dezembro de 2019, ante 745.023 no mesmo período de 2018, após mais um ano de trabalho, em sintonia com a rede de concessionárias.
No primeiro mês deste ano, os resultados positivos foram mantidos e a marca registrou, em janeiro de 2020, 77.996 motocicletas vendidas, o que representa um crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2019. Para 2020, as previsões são positivas e a Honda espera crescer em torno de 5%, podendo chegar a 10%, caso as condições de mercado se mostrem favoráveis.
Vendas no atacado
No primeiro bimestre as fábricas repassaram para as concessionárias 184.508 unidades, correspondendo a um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado (177.119 unidades). Em fevereiro, as vendas no atacado somaram 93.763 motocicletas, o que representa uma queda de 1,8% ante as 95.438 unidades registradas no mesmo mês de 2019. Na comparação com janeiro do presente ano (90.745 unidades), houve alta de 3,3%.
Para Ailson Rezende, apesar da melhora nos números e nos fatores que o compõem, o maior desafio da indústria de motocicletas não está na produção, e sim no consumo. Com a lenta recuperação da economia, o índice de inadimplência do consumidor brasileiro ainda continua em alta. De acordo com dados da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), divulgados em fevereiro, o volume de consumidores com contas em atraso cresceu 1,38% em janeiro, na comparação com igual período do ano passado.
“A única alternativa seria os governos federal, estadual e municipal, junto com as empresas criarem alternativas para os consumidores destes veículos pagarem suas dívidas, pois a maioria está endividados e dentre eles existem os inadimplentes”, disse.
Desempenho por categoria
No primeiro bimestre do ano, os modelos Street e a Scooter são os principais destaques no ranking de vendas do atacado. A Street, a mais vendida, se destaca por sua participação (52,1%) e a Scooter pelo crescimento de 52,6% nas vendas.
No ranking mensal das categorias mais comercializadas, a Street segue na liderança, com 48.096 unidades, queda de 4,6% na comparação com fevereiro do ano passado (50.422 unidades) e pequena alta de 0,1% em relação a janeiro do presente ano (48.049 unidades).
Em segundo lugar, ficou a Trail com 16.532 motocicletas comercializadas, volume 14,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2019 (19.272 unidades) e 2,2% maior na comparação com janeiro do presente ano (16.175 unidades). Na sequência, veio a Motoneta com 14.399 unidades, significando uma alta de 6,5% em relação a fevereiro do ano passado (13.517 unidades) e de 4,8% na comparação com o mês anterior (13.746 unidades).
A Scooter ficou em quarto lugar, com 8.170 unidades, representando um aumento de 34,1% ante as 6.091 unidades registradas em fevereiro de 2019 e de 5,9% em relação a janeiro do presente ano (7.716 unidades). Veja, a seguir, o comparativo de vendas mensais no atacado, por categoria:
Emplacamentos
Segundo o levantamento do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), no primeiro bimestre foram licenciadas 171.476 motocicletas, volume 1,9% menor ante as 174.854 unidades registradas no mesmo período de 2019. Em fevereiro os emplacamentos somaram 79.812 motocicletas, número 5,2% menor em relação ao mesmo mês do ano passado (84.150 unidades) e 12,9% inferior na comparação com janeiro do presente ano (91.664 unidades).
A média diária de vendas nos 18 dias úteis de fevereiro foi de 4.434 unidades, o que representa uma alta de 5,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado (4.208 unidades e 20 dias úteis). Em relação a janeiro do presente ano (4.167 unidades), que registrou 22 dias úteis, o aumento da média diária de vendas foi de 6,4%. De acordo com a Abraciclo, este foi o melhor mês de fevereiro – em termos de média diária de vendas no varejo – desde 2015, quando foram emplacadas 5.211 unidades, em 18 dias úteis.
Exportações
As exportações continuam sendo o principal desafio do setor de motocicletas. Em busca de mercado consumidor alternativo para fugir da dependência do mercado consumidor argentino, nos dois primeiros meses de 2020, as exportações atingiram 4.095 unidades, o que corresponde a uma redução de 47,9% na comparação com as 7.857 unidades embarcadas no mesmo período do ano passado.
Em fevereiro, foram exportadas 2.394 motocicletas, volume 27,2% inferior às 3.287 unidades registradas no mesmo mês de 2019 e aumento de 40,7% na comparação com janeiro do presente ano (1.701 unidades).
Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, que registra os volumes de embarques totais de cada mês, no primeiro bimestre a Argentina foi o principal destino das motocicletas produzidas no Brasil. Foram embarcadas 2.106 unidades para o país vizinho, o que representa 46,7% do total exportado. Na sequência, ficaram os Estados Unidos (1.089 unidades e 24,1% de participação) e a Colômbia (436 unidades e 9,7% de participação).
No ranking exclusivamente de fevereiro, os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar, com 514 unidades e 34,3% de participação. Depois, vieram a Colômbia (336 unidades e 22,4%) e a Argentina (216 unidades e 14,4%).







