Terceiro mandato é para republiqueta

Em: 10 de novembro de 2007
Para um país se firmar no cenário mundial como uma verdadeira democracia, nos moldes da civilização
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Para um país se firmar no cenário mundial como uma verdadeira democracia, nos moldes da civilização

Quem defende um terceiro mandato para o presidente Lula está jogando contra as ins­­­­­tituições brasileiras. É uma idéia estapafúrdia porque sintetiza a essência do culto à personalidade, na qual a força do Estado está centrada na figura do homem forte, do presidente abso­­­luto, do genial guia dos po­­­vos e de tantos epítetos congêne­­res com os quais os apaniguados do poder costumam se re­­ferir ao caudilho que detém os destinos de todos e de tudo em republiquetas sem expressão política e sem respeito internacional. Para um país se firmar no cenário mundial como uma verdadeira democracia, nos moldes da civilização ocidental, é preciso que as coisas públicas estejam acima de interesses pessoais e das vontades de grupos. Em países verdadeiramente de­­­mocráticos, os homens passam,­ as instituições ficam.

Toda vez em que é confron­ta­do com a questão por jorna­listas, o presidente Lula tem afirmado não desejar um ter­­­cei­­­­­ro mandato. No entanto, é sa­­bido o quanto Lula é suscetí­vel aos argumentos dos petistas que lhe são próximos, de onde provavelmente vêm sendo irra­diadas essas idéias. Os líderes do PT já deram mostras suficientes à nação do quanto são i­nep­tos para engendrar suas aven­­turas políticas e também­ desastrados demais na exe­­cu­ção das mesmas. Só que quan­­­do são flagrados em algum des­­­lize deixam respingar no presi­­­den­­­te as máculas de sua má-conduta. Lula sempre­ negou ter conhecimento de fa­­tos como o “mensalão”, os “dó­­la­­res na cue­­ca” e o “dossiê con­­tra José Ser­ra”, porque não lhe restava outro argumento de defesa diante de provas circuns­tanciais que colocavam essas tramas próximas de seu gabinete.

Lula deve saber, com certe­­­za,­­­­ quem são os petistas que de­­fendem um terceiro manda­to para ele e também das dificuldades de aprovar uma emenda constitucional que o autorize­ a concorrer mais uma vez à Pre­­sidência da República. Lu­­­la pode até ficar verdadeiramen­­te constrangido tendo de res­­ponder aos jornalistas que não será candidato outra vez, mas deve ficar com ego inflado quan­­­do seu grupo político, forma­do por petistas que pouco prestigiam as instituições, lhe sopra no ouvido que um terceiro man­­­dato é uma política inevitável. O presidente poderia encerrar para sempre esta discussão simplesmente esmurrando a mesa e afirmando para seus subordinados, com convicção, que tal manobra é um golpe de Estado, típica de caudilhos despreparados para o exercício do poder.

No entanto, Lula, assim co­­­mo todos seus companheiros formados nas lides da esquerda latino-americana, tem vocação para soluções caudilhescas. O pre­­sidente brasileiro tem notó­­ria admiração do Fidel Castro, o maior dos ícones libertários dos ideários socialistas. Tem ad­­­miração pública por Hugo Cha­véz, o presidente venezuelano que pleiteia para si, e somente para si, o direito de concorrer­ eternamente à presidência da Venezuela. Também tem res­­pei­­­to subalterno por Evo Mo­ra­les, o presidente boliviano que nacionalizou as refinarias da Petrobras e desfez contratos inter­­­nacionais que causaram gran­­de prejuízo à empresa bra­­sileira. Reagindo a esses des­­­mandos do presidente da Bolí­­­via, Lula reconheceu ser direito legítimo de Evo Morales tomar os investimentos dos bra­­­sileiros, deixando os interesses de seus compatriotas abaixo das bravatas nacionalistas de seu colega presidente. Nesta ques­­­tão, o governo brasileiro deixou claro que entende ser mais importante a autodeterminação dos povos do que a garantia de abastecimento energético do país, que hoje sofre com a falta de gás natural e ameaça aumentar em até 25% o preço dessa importante fonte de energia.

Qualquer brasileiro tem o direito de sonhar com a Pre­­­si­­dência da República e com todas as maravilhas que o cargo ofe­­rece, como as viagens internacionais como chefe de Estado e o próprio poder em si. Menos o presidente Lula, porque a Cons­tituição, já tantas vezes aviltada para atender interesses pequenos, não lhe con

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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