Quem defende um terceiro mandato para o presidente Lula está jogando contra as instituições brasileiras. É uma idéia estapafúrdia porque sintetiza a essência do culto à personalidade, na qual a força do Estado está centrada na figura do homem forte, do presidente absoluto, do genial guia dos povos e de tantos epítetos congêneres com os quais os apaniguados do poder costumam se referir ao caudilho que detém os destinos de todos e de tudo em republiquetas sem expressão política e sem respeito internacional. Para um país se firmar no cenário mundial como uma verdadeira democracia, nos moldes da civilização ocidental, é preciso que as coisas públicas estejam acima de interesses pessoais e das vontades de grupos. Em países verdadeiramente democráticos, os homens passam, as instituições ficam.
Toda vez em que é confrontado com a questão por jornalistas, o presidente Lula tem afirmado não desejar um terceiro mandato. No entanto, é sabido o quanto Lula é suscetível aos argumentos dos petistas que lhe são próximos, de onde provavelmente vêm sendo irradiadas essas idéias. Os líderes do PT já deram mostras suficientes à nação do quanto são ineptos para engendrar suas aventuras políticas e também desastrados demais na execução das mesmas. Só que quando são flagrados em algum deslize deixam respingar no presidente as máculas de sua má-conduta. Lula sempre negou ter conhecimento de fatos como o “mensalão”, os “dólares na cueca” e o “dossiê contra José Serra”, porque não lhe restava outro argumento de defesa diante de provas circunstanciais que colocavam essas tramas próximas de seu gabinete.
Lula deve saber, com certeza, quem são os petistas que defendem um terceiro mandato para ele e também das dificuldades de aprovar uma emenda constitucional que o autorize a concorrer mais uma vez à Presidência da República. Lula pode até ficar verdadeiramente constrangido tendo de responder aos jornalistas que não será candidato outra vez, mas deve ficar com ego inflado quando seu grupo político, formado por petistas que pouco prestigiam as instituições, lhe sopra no ouvido que um terceiro mandato é uma política inevitável. O presidente poderia encerrar para sempre esta discussão simplesmente esmurrando a mesa e afirmando para seus subordinados, com convicção, que tal manobra é um golpe de Estado, típica de caudilhos despreparados para o exercício do poder.
No entanto, Lula, assim como todos seus companheiros formados nas lides da esquerda latino-americana, tem vocação para soluções caudilhescas. O presidente brasileiro tem notória admiração do Fidel Castro, o maior dos ícones libertários dos ideários socialistas. Tem admiração pública por Hugo Chavéz, o presidente venezuelano que pleiteia para si, e somente para si, o direito de concorrer eternamente à presidência da Venezuela. Também tem respeito subalterno por Evo Morales, o presidente boliviano que nacionalizou as refinarias da Petrobras e desfez contratos internacionais que causaram grande prejuízo à empresa brasileira. Reagindo a esses desmandos do presidente da Bolívia, Lula reconheceu ser direito legítimo de Evo Morales tomar os investimentos dos brasileiros, deixando os interesses de seus compatriotas abaixo das bravatas nacionalistas de seu colega presidente. Nesta questão, o governo brasileiro deixou claro que entende ser mais importante a autodeterminação dos povos do que a garantia de abastecimento energético do país, que hoje sofre com a falta de gás natural e ameaça aumentar em até 25% o preço dessa importante fonte de energia.
Qualquer brasileiro tem o direito de sonhar com a Presidência da República e com todas as maravilhas que o cargo oferece, como as viagens internacionais como chefe de Estado e o próprio poder em si. Menos o presidente Lula, porque a Constituição, já tantas vezes aviltada para atender interesses pequenos, não lhe con







