E continua aberta ao público, na Casa das Artes, no Largo de São Sebastião, a exposição de presépios ‘Uma noite de esperança’, uma parceria dos freis da paróquia de São Sebastião com a SEC (Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa). E teve até concurso para escolha do melhor presépio, idealizado e organizado pelos freis Raul Gustavo e Eliojunio Silva. A exposição e o concurso resgatam dois motivos especiais para a ordem franciscana: primeiro, porque comemora os 800 anos da montagem do primeiro presépio por São Francisco de Assis, preceptor da ordem, em 1224; e segundo porque os freis Raul e Eliojunio, através de pesquisas realizadas nos documentos da igreja, descobriram que há mais de 100 anos os franciscanos da igreja de São Sebastião começaram a organizar este concurso.
“Vasculhando jornais antigos, de 1949, descobri notícias sobre esse concurso que já era realizado anos antes”, contou frei Raul.
Este ano, para comemorar os 800 anos do primeiro presépio, os dois freis pesquisadores resolveram realizar o concurso, inclusive oferecendo prêmios em dinheiro para os vencedores.
“Recebemos mais de 20 inscrições, mas como o regulamento do concurso permitia a seleção de apenas 15 participantes, são estes que estão concorrendo”, disse.
Inicialmente os presépios ficariam expostos nas dependências da igreja, para visitação pública, mas aí veio o convite da SEC (Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa), que organizou uma exposição de presépios no Centro Cultural Povos da Amazônia, ano passado, e a parceria fez com que os mesmos ganhassem um novo espaço na Casa das Artes, onde poderão ser visitados até o dia 6 de janeiro, Dia de Reis, e com mais 30 presépios, totalizando 45.
Mais de 20 mil
“Algumas pessoas quiseram apenas expor, independente do concurso, como o artista plástico Jair Jacqmont. Tem presépios da própria SEC e outros do acervo da igreja, como um do século 19, outro feito por frades, e um de terracota, belíssimo. Criamos até uma categoria para as crianças, de várias paróquias da capital, e elas participaram com presépios cujos personagens são de papel, de tecido e de outros materiais”, falou.
Numa das salas da Casa das Artes, as crianças podem assistir a um desenho animado sobre a história de São Francisco de Assis.
“Eu achei bem interessante essa diversidade de expressões. Umas dez pessoas construíram seus próprios presépios, com diferentes tamanhos, cores, características e materiais como metal, papel, resina, crochê, palha, isopor, madeira, sementes entre outros de porcelana e cristal”, listou o frei.
Até sexta-feira, 22, mais de onze mil pessoas já haviam ido à Casa das Artes visitar a exposição.
“E a previsão é que esse número chegue a 20 mil pessoas até o último dia da exposição, em 6 de janeiro. São oito séculos de memória do nascimento de Jesus, que até hoje perdura e não perde seu significado, se renovando a cada ano. Essa exposição prova isso. Converso com jovens que perguntam o porquê da exposição e desconhecem o que é um presépio. Nossas explicações, com certeza, farão com que entendam o significado desse simbolismo e a importância, para os cristãos, de mantê-lo vivo”, revelou.
“A exposição veio para a Casa das Artes para compor esse cenário no Largo de São Sebastião. Em frente à lira do Teatro Amazonas temos um presépio maior, que está se tornando um circuito, porque o público pode conhecer o presépio francês, dentro da igreja de São Sebastião, feito de gesso, ferro, madeira e com tamanho humano. E tem também o do Teatro Gebes Medeiros, sendo que a maior parte das obras está dentro da Casa das Artes”, informou Jessilda Furtado, produtora e curadora da exposição que, no ano passado, junto com José Marques, diretor do CCPA (Centro Cultural Povos da Amazônia) organizou naquele espaço uma exposição de presépios que reuniu um público expressivo, abrindo precedente para este novo projeto.


Chagas de Jesus
“Contamos com a curadoria da Jessilda e o apoio do José Marques, e nós contribuímos com obras de nosso acervo e informações sobre a história do presépio montado por São Francisco”, completou frei Raul.
Em 1223, Francisco de Assis montou o primeiro presépio do mundo, no interior de uma gruta, na cidade italiana de Greccio. Era Natal. Francisco falava aos aldeões sobre o nascimento de um Menino Deus, mas eles não compreendiam, então o futuro santo pediu que os aldeões providenciassem uma manjedoura, palhas, um boi, um burro e a imagem do Menino Jesus e montou o presépio, que se tornou uma tradição entre os moradores de Greccio e se espalhou para o mundo ganhando novos elementos como Maria e José, os três reis magos, carneiros, ovelhas e camelos.
“Ano que vem continuaremos comemorando São Francisco, pois foi quando ele se tornou o primeiro homem a receber as chagas de Jesus Cristo crucificado, em 1224, há 800 anos, um fenômeno que se repete até hoje, em pessoas, no mundo todo”, concluiu.
A Casa das Artes fica na rua José Clemente, Largo de São Sebastião, e funciona de terça-feira a domingo, das 17h às 21h, com entrada gratuita.
***







